top of page

Burnout ou perda de sentido? Quando descansar não resolve tudo

26 de ago.
13 min de leitura
Máquina de desempenho transforma calendários coloridos em páginas cinzentas diante de uma cadeira vermelha vazia, representando burnout, trabalho e perda de sentido.

Você descansa no fim de semana, tenta dormir melhor, reduz alguns compromissos e até consegue passar alguns dias longe do trabalho. O corpo desacelera por um instante, mas basta pensar na segunda-feira para a tensão voltar. A pergunta surge, incômoda: estou apenas cansado, estou vivendo um burnout ou já não encontro sentido no que faço?


A resposta curta é que essas experiências podem se aproximar, mas não são idênticas. O cansaço comum tende a melhorar quando há recuperação suficiente. O burnout está ligado ao estresse crônico no contexto ocupacional que não foi administrado com êxito. Já a perda de sentido envolve a relação entre trabalho, identidade, reconhecimento, valores e desejo; ela pode existir com ou sem burnout.


Descansar é necessário. Em alguns momentos, é urgente. Mas o repouso não altera, por si só, uma carga de trabalho inviável, uma gestão humilhante, a ausência de autonomia, a insegurança profissional ou a experiência de dedicar a vida a algo que se tornou estranho para quem o realiza. Também não responde automaticamente a conflitos como “o que esperam de mim?”, “por que preciso provar meu valor o tempo todo?” ou “a vida que construí ainda corresponde ao que desejo?”.


Por isso, este artigo não oferece um teste rápido nem transforma todo esgotamento em diagnóstico. Ele propõe uma leitura cuidadosa, na qual condições concretas de trabalho, saúde física e mental, história pessoal e contexto social precisam ser considerados juntos.


O que é burnout — e o que a definição não diz


A Organização Mundial da Saúde inclui o burnout na CID-11 como um fenômeno ocupacional, não como uma condição médica. Ele resulta de estresse crônico no trabalho que não foi gerido com sucesso e se caracteriza por três dimensões:


  • sensação de esgotamento ou exaustão de energia;

  • maior distanciamento mental do trabalho, negativismo ou cinismo relacionado à atividade profissional;

  • redução da eficácia profissional.


A definição é deliberadamente específica: burnout se refere ao contexto de trabalho e não deve ser aplicado indiscriminadamente a outras áreas da vida. Isso não torna o sofrimento menor. Apenas impede que uma palavra útil se transforme em rótulo universal para qualquer cansaço, frustração ou crise existencial.


Também é importante notar o que essa definição não autoriza. Ela não permite concluir que toda pessoa exausta tem burnout; não substitui uma avaliação profissional; não identifica automaticamente a causa; e não significa que o problema esteja apenas na capacidade individual de “gerenciar o estresse”. Se o estresse é produzido por metas impossíveis, assédio, discriminação, jornadas extensas ou falta de recursos, técnicas individuais de adaptação têm alcance limitado.


Cansaço, burnout e perda de sentido: como diferenciar?


O cansaço comum costuma guardar relação reconhecível com um período de esforço. Depois de repouso, sono e redução temporária da demanda, há recuperação proporcional. A pessoa pode não gostar de todas as tarefas, mas ainda preserva interesse, vínculo e sensação de competência.


No burnout, a exaustão tende a se tornar persistente e vem acompanhada de alterações na relação com o trabalho. A atividade antes tolerável passa a provocar afastamento, irritação, endurecimento ou cinismo. A pessoa pode sentir que entrega cada vez menos, mesmo se trabalha cada vez mais. Férias curtas talvez tragam melhora parcial, mas o retorno às mesmas condições reativa rapidamente o sofrimento.


A perda de sentido pode apresentar outra tonalidade. Nem sempre há exaustão extrema. Às vezes, o desempenho continua alto, mas a pessoa já não reconhece a si mesma no que produz. O trabalho parece vazio, contraditório com seus valores ou reduzido a uma sucessão de metas sem finalidade compreensível. Pode haver uma pergunta sobre direção: “se eu alcançar o próximo resultado, o que isso mudará?”.


As três situações podem coexistir. Alguém pode estar fisicamente cansado depois de um projeto intenso, desenvolver burnout em uma organização cronicamente adoecedora e, ao mesmo tempo, perceber que sua identidade ficou inteiramente submetida à performance. A diferenciação não serve para escolher um rótulo mais elegante; serve para orientar perguntas, cuidados e mudanças adequados.


Burnout é a mesma coisa que depressão ou ansiedade?


Não. Burnout, depressão e transtornos de ansiedade são conceitos diferentes, embora possam compartilhar sintomas e aparecer ao mesmo tempo. Exaustão, alterações do sono, dificuldade de concentração, irritabilidade e queda de funcionamento não pertencem exclusivamente a uma única condição.


Uma revisão sistemática sobre burnout e depressão encontrou resultados inconsistentes sobre o grau de distinção entre os dois fenômenos e destacou a necessidade de observação clínica cuidadosa. Outra revisão sistemática e meta-análise confirmou associações entre burnout, depressão e ansiedade, sem oferecer base para tratá-los simplesmente como sinônimos.


A depressão pode afetar prazer, energia, esperança, autoestima e funcionamento em vários contextos, não apenas no trabalho. A ansiedade pode assumir formas diversas e também ultrapassar o ambiente ocupacional. Condições físicas, efeitos de medicamentos, privação de sono, uso de substâncias, luto e outras situações precisam entrar na avaliação.


Autodiagnósticos feitos por listas na internet podem atrasar cuidados importantes. Quando sintomas são intensos, persistentes ou prejudicam o cotidiano, a conduta mais segura é procurar profissionais qualificados para uma avaliação ampla.


Por que descansar ajuda, mas às vezes não resolve


O organismo precisa de pausa. Sono adequado, períodos sem demanda e recuperação são componentes básicos de saúde, não recompensas que precisam ser merecidas. Entretanto, repouso e mudança das condições que produzem o esgotamento são coisas diferentes.


Imagine uma pessoa que trabalha sob metas crescentes, recebe mensagens fora do expediente, não tem liberdade para decidir como executar suas tarefas e teme perder o emprego se disser que a carga é inviável. Alguns dias de descanso podem reduzir a tensão imediata. Ao retornar, porém, a estrutura permanece: excesso de demanda, baixa autonomia e insegurança.


A OMS, em sua ficha sobre saúde mental no trabalho, identifica como riscos psicossociais fatores como carga ou ritmo excessivos, equipes insuficientes, baixo controle sobre o trabalho, cultura organizacional negativa, discriminação, assédio, insegurança e conflito entre vida pessoal e profissional. A mesma orientação ressalta intervenções organizacionais destinadas a modificar as próprias condições laborais.


Isso muda a pergunta. Em vez de “por que essa pessoa não se recupera melhor?”, é preciso perguntar também “o que continua produzindo o sofrimento?”. Meditação, atividade física, lazer e terapia podem compor o cuidado, mas não devem ser usados para tornar alguém mais tolerante a uma situação intolerável.


O trabalho é mais do que uma lista de tarefas


Trabalhar garante renda e condições materiais de existência. Mas o trabalho também organiza tempo, vínculos, pertencimento e uma imagem de quem somos. Por meio dele, habilidades encontram destino social; esforços podem ser reconhecidos; projetos coletivos ganham forma. A experiência profissional participa da identidade sem precisar ocupar toda a identidade.


É por isso que o sofrimento no trabalho não se resume a “não gostar do emprego”. Uma mudança na atividade pode abalar referências pessoais construídas durante anos. Perder uma função pode ser vivido como perda de lugar no mundo. Continuar em uma função incompatível com os próprios valores também pode produzir estranhamento.


O bom trabalho pode oferecer propósito, confiança, realização, relações e rotina, como reconhece a própria OMS. Mas essa potência não aparece automaticamente. Ela depende de condições materiais, relações respeitosas, limites e possibilidade de reconhecer algum valor no que se faz.


Reconhecimento: quando muito esforço parece não existir


Reconhecimento não é apenas elogio. Ele inclui remuneração justa, retorno compreensível, respeito, participação em decisões e possibilidade de ver a própria contribuição inscrita em um resultado. Quando esse circuito falha, o trabalhador pode sentir que sua presença é intercambiável e que nada do que faz é realmente percebido.


Há organizações em que a falha é rapidamente personalizada, enquanto o bom resultado é tratado como obrigação. Há equipes nas quais as metas mudam antes que qualquer conquista possa ser simbolicamente concluída. A pessoa entrega, recebe uma nova cobrança e não encontra um momento em que algo seja considerado suficiente.


Essa ausência pode tocar histórias anteriores. Quem aprendeu que amor e pertencimento dependem de desempenho talvez se esforce ainda mais diante da falta de reconhecimento. Em vez de reduzir a entrega, tenta finalmente produzir a prova incontestável de valor. O problema é que uma prova absoluta não existe, especialmente em sistemas que vivem de ampliar metas.


A psicanálise pode investigar por que certa exigência externa encontra tamanha força interna. Mas essa investigação não deve apagar a realidade organizacional. Um ambiente injusto continua injusto, ainda que compreendamos por que alguém permaneceu nele ou se submeteu além dos próprios limites.


O ideal de performance e uma cobrança sem linha de chegada


Na cultura da performance, resultados deixam de ser apenas resultados e passam a funcionar como medidas de valor pessoal. O sujeito não apenas realiza uma tarefa; precisa demonstrar entusiasmo, disponibilidade, crescimento contínuo e capacidade de converter toda dificuldade em oportunidade.


O ideal parece dizer: seja produtivo, adaptável, apaixonado, saudável, criativo e resiliente — tudo ao mesmo tempo. Se houver sofrimento, ele também deve ser bem administrado, de preferência sem interromper a entrega. A cobrança se torna difícil de localizar porque pode ser experimentada como voz própria: “eu deveria conseguir”, “os outros dão conta”, “descansar agora é fracassar”.


Na linguagem psicanalítica, o supereu não é apenas uma consciência que proíbe. Ele pode operar como uma injunção insistente: faça mais, seja mais, prove mais. Quanto mais a pessoa obedece, mais insuficiente se sente. Não há resultado capaz de encerrar a cobrança, pois a meta se desloca continuamente.


Nomear essa dinâmica não significa rejeitar ambição, disciplina ou satisfação profissional. Significa distinguir um projeto que orienta de um ideal que devora; uma responsabilidade possível de uma dívida interminável; o desejo de realizar de uma obrigação de justificar a própria existência pela produtividade.


Alienação: quando a pessoa se torna apenas uma função


Alienação, neste contexto, não significa simplesmente estar distraído ou desmotivado. Ela descreve uma experiência de estranhamento: o trabalhador participa de uma atividade, mas não se reconhece em suas finalidades, em seu modo de organização ou no produto do próprio esforço.


Isso pode acontecer quando métricas substituem completamente o julgamento profissional, quando valores declarados contradizem práticas cotidianas ou quando a pessoa precisa agir repetidamente contra aquilo que considera correto. O trabalho continua, mas o vínculo subjetivo se rompe.


Em alguns casos, essa ruptura aparece como cinismo. A ironia protege contra a decepção: se nada importa, então nada pode ferir. Em outros, surge apatia ou automatismo. A pessoa cumpre tarefas, mas sente que não está verdadeiramente presente. Há ainda quem responda com hiperatividade, acumulando projetos para evitar o encontro com a sensação de vazio.


Nenhuma dessas respostas deve ser interpretada isoladamente. O cinismo pode integrar o burnout, mas também pode ser defesa diante de uma instituição contraditória. A apatia pode estar ligada a depressão e requerer avaliação. A hiperatividade pode esconder medo, insegurança financeira ou exigências reais. Escutar é diferenciar.


Propósito não pode virar mais uma obrigação


Nos últimos anos, o discurso do “trabalho com propósito” ganhou força. Ele expressa uma demanda legítima por coerência entre atividade, valores e impacto social. No entanto, pode criar uma nova armadilha quando a organização exige devoção emocional sem oferecer condições justas.


Nem todo emprego precisa realizar a totalidade do desejo. Para muitas pessoas, trabalhar é principalmente sustentar a vida, e isso é digno. Sentido também pode ser encontrado em vínculos, estudo, cuidado, arte, comunidade e descanso. Obrigar alguém a transformar emprego em missão pode aprofundar culpa e exploração.


O problema não é não estar apaixonado pelo trabalho. A questão é se a relação profissional permite existência material, respeito e limites; se há espaço para algum investimento subjetivo; e se a atividade exige que a pessoa traia continuamente valores essenciais ou abandone todas as outras dimensões da vida.


Três cenas possíveis — sem diagnósticos à distância


A profissional que volta das férias e piora. Durante dez dias, ela dorme e sente a energia retornar. No domingo anterior à volta, aparecem palpitação e náusea. O sofrimento não prova, sozinho, burnout ou transtorno de ansiedade. Mas indica que o ambiente, as relações e as antecipações ligadas ao trabalho precisam ser examinados — e não apenas a qualidade das férias.


O executivo eficiente que já não sabe por que avança. Ele mantém resultados altos e não se considera exausto. Ainda assim, cada promoção produz menos satisfação. Percebe que escolheu sucessivos objetivos para corresponder a uma imagem familiar de sucesso. Pode haver perda de sentido sem que todos os critérios associados ao burnout estejam presentes.


A trabalhadora que conclui ser “fraca”. A equipe foi reduzida, a demanda dobrou e reclamações são punidas. Ela tenta compensar com jornadas maiores, até começar a falhar. Se o problema for narrado apenas como falta de resiliência, a organização desaparece da análise. O cuidado precisa incluir a pessoa e as condições que ultrapassam sua capacidade individual de transformação.


Essas cenas são compostas e ilustrativas. Situações semelhantes podem ter causas e desfechos diferentes. O ponto não é encaixar vidas em categorias, mas mostrar por que nenhuma explicação única basta.


O que uma escuta psicanalítica pode investigar


A psicanálise não mede o valor de alguém pela adaptação ao emprego. Também não oferece uma receita universal para “reencontrar propósito”. Ela abre espaço para que a pessoa formule a singularidade do conflito: o que esse trabalho representa, que lugar ocupa em sua história e por que determinadas exigências parecem impossíveis de recusar.


Algumas perguntas podem emergir:


  • Quando o reconhecimento se tornou condição para sentir que se tem valor?

  • Que medo aparece diante da possibilidade de colocar um limite?

  • A escolha profissional ainda pertence ao sujeito ou sustenta expectativas herdadas?

  • Que perda é imaginada se o ritmo diminuir?

  • O cinismo protege de qual decepção?

  • O que precisa mudar no ambiente e o que precisa ser elaborado na relação com o próprio desejo?


Essas perguntas não culpam a pessoa pelo sofrimento. Ao contrário, ajudam a separar responsabilidade subjetiva de responsabilidade institucional. O sujeito pode examinar escolhas, repetições e limites sem assumir como falha privada aquilo que é produzido por precarização, violência ou desigualdade.


Também não se trata de interpretar tudo. Sintomas físicos e psíquicos exigem avaliação apropriada. Dependendo do caso, o cuidado pode envolver medicina, psiquiatria, psicologia, psicanálise, saúde ocupacional e outras áreas. Uma escuta ética reconhece seus limites e trabalha de forma interdisciplinar quando necessário.


Cuidado individual e mudança organizacional precisam conversar


A OMS e a Organização Internacional do Trabalho defendem uma abordagem que inclua prevenção de riscos psicossociais, proteção e promoção da saúde mental no trabalho e apoio às pessoas que vivem condições de saúde mental.


Na prática, isso significa que respostas responsáveis não podem terminar em “cuide-se melhor”. Organizações podem revisar carga, horários, autonomia, dimensionamento de equipes, práticas de liderança, prevenção de assédio, acessibilidade e participação dos trabalhadores nas decisões. Líderes precisam ser preparados para reconhecer sofrimento sem assumir o papel de diagnosticar.


No plano individual, pode ser importante registrar sintomas e condições que os antecedem; buscar avaliação; conversar com pessoas de confiança; procurar saúde ocupacional, recursos humanos, representação sindical ou canais formais quando forem seguros; e estabelecer limites possíveis. Nenhuma orientação genérica, porém, deve ignorar risco financeiro, dependência do emprego ou possibilidade de retaliação.


Pedir demissão não é uma prescrição clínica. Permanecer também não deve ser tratado como prova de fraqueza. Decisões sobre afastamento, mudança de função ou saída precisam considerar saúde, direitos, recursos, rede de apoio e orientação profissional adequada.


Quando procurar ajuda


Procure avaliação profissional quando exaustão, alterações de sono, ansiedade, desânimo, irritabilidade, dificuldades cognitivas ou sintomas físicos persistirem, aumentarem ou prejudicarem trabalho, relações e autocuidado. Também merece atenção o uso crescente de álcool, medicamentos ou outras substâncias para conseguir trabalhar, descansar ou dormir.


Se houver pensamentos de morte, risco de autoagressão, desespero intenso ou incapacidade de manter a própria segurança, procure ajuda imediata. No Brasil, o CVV atende pelo telefone 188, gratuitamente, 24 horas por dia. Em uma emergência, acione o SAMU pelo 192 ou dirija-se a um serviço de urgência.


Formação em psicanálise: escutar o sujeito sem apagar o mundo


Para quem deseja se formar em psicanálise, o sofrimento relacionado ao trabalho exige uma escuta capaz de sustentar duas dimensões ao mesmo tempo. Há uma história singular: ideais, identificações, culpa, desejo, medo de perder amor ou pertencimento. E há um mundo concreto: remuneração, hierarquia, discriminação, tecnologias de controle, desemprego, precarização e políticas institucionais.


Reduzir tudo à organização apaga a singularidade. Reduzir tudo ao inconsciente individual apaga relações de poder e condições materiais. A formação teórica, a análise pessoal e a supervisão ajudam o futuro analista a não transformar conceitos em rótulos, a reconhecer quando encaminhamentos são necessários e a escutar sem adaptar automaticamente o paciente ao ideal de produtividade.


Compreender o sofrimento contemporâneo exige uma escuta que articule história pessoal, relações e contexto social.



Perguntas frequentes


Como saber se é burnout ou apenas cansaço?

O cansaço comum tende a melhorar com recuperação suficiente. O burnout está relacionado ao estresse crônico no trabalho não administrado com êxito e envolve exaustão, distanciamento ou cinismo em relação ao trabalho e redução da eficácia profissional. Como sintomas podem ter outras causas, uma avaliação profissional é mais segura do que um autoteste.

Férias curam burnout?

Férias podem oferecer descanso importante e reduzir sintomas temporariamente, mas não garantem a resolução do problema. Se carga excessiva, baixa autonomia, assédio, insegurança ou conflitos persistirem, o retorno pode reativar o sofrimento. O cuidado pode exigir apoio clínico e mudanças nas condições de trabalho.

Burnout é uma doença?

Na CID-11, a OMS classifica burnout como fenômeno ocupacional, não como condição médica. Isso não significa que seja irrelevante. Sintomas podem ser graves, coexistir com outras condições e exigir avaliação e cuidado. O termo deve ser usado especificamente em relação ao trabalho.

Burnout e depressão são a mesma coisa?

Não. Há sobreposição possível de sintomas e associação entre os fenômenos, mas eles não devem ser tratados automaticamente como sinônimos. A depressão pode afetar múltiplas áreas da vida. Uma avaliação clínica considera contexto, duração, intensidade, funcionamento e outras hipóteses.

Posso ter perdido o sentido do trabalho sem estar em burnout?

Sim. Uma pessoa pode manter energia e desempenho, mas não se reconhecer no que faz, perceber conflito com seus valores ou sentir que as metas deixaram de ter direção. A perda de sentido também pode acompanhar o burnout, mas não é equivalente a ele.

A psicanálise pode ajudar no sofrimento relacionado ao trabalho?

Pode oferecer um espaço para investigar a relação entre trabalho, reconhecimento, identidade, ideais, limites e desejo. Não substitui mudanças organizacionais nem outros cuidados necessários. Dependendo do caso, a abordagem deve ser interdisciplinar.

Preciso pedir demissão para melhorar?

Não existe resposta universal. Sair pode ser necessário ou inviável; mudanças de carga, função, equipe, limites, tratamento ou afastamento podem ser consideradas conforme a situação. A decisão deve levar em conta saúde, direitos, segurança financeira, rede de apoio e orientação qualificada.


Descansar — e também perguntar o que precisa mudar


Descansar não é fracassar. É uma necessidade humana e uma forma legítima de cuidado. Mas quando o esgotamento retorna imediatamente, talvez o corpo esteja revelando que a pausa foi colocada sobre uma estrutura que continua intacta.


Perguntar pelo sentido não significa exigir paixão permanente pelo emprego. Significa examinar se há lugar para limites, reconhecimento e alguma participação subjetiva; se o trabalho sustenta a vida ou passou a consumi-la; e se as metas perseguidas ainda pertencem a quem as realiza.


O sofrimento no trabalho não nasce de uma única fonte. Ele pode reunir corpo, história, relações, organização e cultura. Uma resposta responsável também precisa ser plural: repouso quando necessário, avaliação clínica quando indicada, proteção de direitos, transformação de condições nocivas e espaço para elaborar o desejo.


Quando descansar não resolve tudo, a conclusão não deveria ser “preciso me esforçar melhor para descansar”. Talvez seja hora de escutar com mais precisão o que a exaustão, o cinismo ou o vazio estão dizendo — e de reconhecer que algumas respostas precisam ser construídas pela pessoa, enquanto outras dependem do coletivo e das instituições.


Este artigo tem finalidade educativa e não oferece diagnóstico nem substitui avaliação profissional. Sintomas persistentes, sofrimento intenso ou prejuízo importante no funcionamento cotidiano devem ser avaliados por profissionais qualificados.


 
 
 

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação

Coleção ABRAFP | Mestres da Clínica Psicanalítica — livros introdutórios e clínicos sobre Freud, Melanie Klein, Ferenczi, Anna Freud e os principais autores da psicanálise, publicados pela ABRAFP International Press.

Coleção Clínica Psicanalítica em Foco — livros introdutórios sobre psicanálise, formação clínica, sofrimento psíquico e escuta do inconsciente, publicados pela ABRAFP International Press.

Depoimentos dos Psicanalistas Formados pela ABRAFP

Os relatos de nossos formandos revelam trajetórias singulares, marcadas pelo aprofundamento teórico, pela experiência clínica e por um compromisso ético com a escuta do sujeito. Muitos deles iniciaram esse percurso antes mesmo da formação completa, buscando compreender os fundamentos da psicanálise e o lugar do psicanalista na prática contemporânea.

Quero Solicitar Bolsa de Estudos:

Depoimento dos alunos

Marcelo da Costa

Psicanalista

Gostaria de expressar minha imensa gratidão à ABRAFP e à sua equipe excepcional, especialmente ao professor Diovane Avelino Souza, à psicanalista Andrea Machado Coutinho e à Ariana Morgado pelo seu dinamismo e dedicação.

A minha formação como psicanalista pela ABRAFP foi uma experiência enriquecedora que guardarei para sempre na memória. A instituição se destaca por ser comprometida em tempo integral com a formação dos seus alunos e oferecer um atendimento eficiente, respondendo às dúvidas e necessidades de forma ágil.

 

Além disso, a plataforma de ensino a distância oferecida pela ABRAFP é excepcional, permitindo aos alunos navegarem com precisão e flexibilidade, permitindo que cumpram todas as etapas necessárias para a sua formação e concluam seus trabalhos de forma eficiente.

Não posso deixar de mencionar a minha admiração pelo trabalho inspirador realizado pela ABRAFP e sua equipe especial. Estou profundamente agradecido pela oportunidade de fazer parte desta instituição excepcional.

Depoimento dos alunos

Érica Pires Conde

Psicanalista

A minha formação como psicanalista na ABRAFP foi uma experiência incrível e essencial para a minha carreira. A matriz curricular da instituição permitiu-me ter múltiplos olhares e estudar as teorias de grandes nomes da psicanálise, como Freud, Lacan, Winnicott, Melaine Klein, bem como as de psicanalistas contemporâneos.

Durante a minha formação, fui acompanhada por tutores experientes, que me avaliaram em dois momentos importantes: na análise pessoal e na supervisão. Na última etapa, percebi a importância do tutor em orientar os meus passos no setting proposto e avaliar o meu desempenho nas sessões.

A comunicação com a equipe ABRAFP foi excelente. Destaco a excelência dos serviços prestados pela psicanalista Ariana Morgado e pelo psicólogo e psicanalista Fabrício Leão Paes, que foram fundamentais para o meu aprendizado e desenvolvimento pessoal e profissional.

Em resumo, sou profundamente grato à ABRAFP por ter me proporcionado uma formação tão completa e enriquecedora. Sem dúvida, esta experiência será valiosa ao longo de toda a minha vida profissional.

Mais depoimentos

Endereços da ABRAFP

A ABRAFP está localizada na Avenida Paulista, número 171, 4º andar, bairro Bela Vista, em São Paulo, CEP 01310-000. Este endereço é exclusivamente destinado ao recebimento de correspondências e para questões fiscais, seja por entrega pessoal ou envio via correios. Para facilitar a comunicação e atender às suas necessidades, oferecemos os seguintes números de WhatsApp:

Polos Licenciados:

Polo Rio de Janeiro
Estado: Rio de Janeiro
CNPJ: 27.215.132/0001-97: Para informações sobre matrículas no polo do Rio de Janeiro, localizado na Rua Visconde de Piraja, nº 414, sala 718, Ipanema, CEP 22410-002, entre em contato via WhatsApp: +55 (21) 97260-5059

Polo Ribeirão Preto
Estado: São Paulo
CNPJ: 52.692.578/0001-50: Para informações sobre matrículas no polo de Ribeirão Preto, localizado na Rua Paschoal Bardaro, nº 1516, Bairro Jardim Botânico, CEP 14021-655, em São Paulo, contate-nos via WhatsApp: +55 (16) 99465-8046

Polo Belo Horizonte
Estado: Minas Gerais
Para informações sobre matrículas no polo de Belo Horizonte, localizado na Rua Carijós, nº 424, Bairro Centro, CEP 30120-901, em Minas Gerais, contate-nos via WhatsApp: 

A ABRAFP está em constante expansão e agora estamos em busca de parceiros para abrir novos polos por meio de licenciamento da nossa marca. Se você é empreendedor e deseja oferecer um curso de psicanálise renomado em sua região, esta é a oportunidade perfeita para você!

Ao se tornar um parceiro ABRAFP, você terá a oportunidade de oferecer o nosso curso de psicanálise, que tem uma matriz curricular abrangente e que possibilita múltiplos olhares, em sua região. Além disso, a ABRAFP é uma instituição reconhecida por sua excelência e qualidade no ensino.

Clique aqui e saiba mais

 

A ABRAFP oferece cursos de graduação e pós-graduação por meio de polos de educação a distância, ampliando o acesso à formação de qualidade em diversas regiões do país.

baixados (1) (2).png
  • Instagram ícone social
  • FaceBook
  • Spotify
  • Amazon
  • LinkedIn ícone social
  • Twitter Social Icon
  • YouTube Social  Icon
  • Pinterest
bottom of page