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The Unquiet Age: quando a tecnologia encontra a alma humana

14 de ago.
4 min de leitura

Vivemos cercados por sistemas que aprendem nossos hábitos, antecipam preferências, recomendam caminhos e transformam decisões íntimas em dados. A tecnologia promete conveniência, eficiência e segurança. Mas, quando cada escolha pode ser otimizada, o que acontece com a liberdade? Quando uma máquina preserva nossas lembranças, o que ainda significa recordar? E, se um algoritmo consegue prever o futuro, onde começa a responsabilidade humana?

Essas perguntas estão no centro de The Unquiet Age, coleção literária de Deivede Ferreira publicada pela ABRAFP International Press. Concebida como um conjunto de narrativas existenciais contemporâneas, a obra aproxima filosofia, psicanálise e ficção especulativa para investigar as inquietações de uma época atravessada pela inteligência artificial, pela vigilância digital, pela automação e pela pressão de viver de maneira cada vez mais eficiente.


Ficção para pensar o presente

Embora os livros apresentem situações de futuro próximo, seus conflitos já fazem parte de nossa experiência cotidiana. Delegamos escolhas a aplicativos, medimos o sono, armazenamos lembranças em plataformas e aprendemos a interpretar o silêncio de alguém pela ausência de uma notificação. Aos poucos, aquilo que parecia apenas uma ferramenta passa a organizar a maneira como desejamos, trabalhamos, amamos e sofremos.

The Unquiet Age não trata a tecnologia como vilã nem como solução milagrosa. O interesse da série está na zona ambígua em que cada avanço oferece algo valioso e, ao mesmo tempo, cobra um preço humano. Seus personagens não enfrentam apenas máquinas; enfrentam a própria vontade de evitar a dúvida, o luto, o risco e a responsabilidade de escolher.

Esse deslocamento torna as narrativas especialmente próximas da tradição psicanalítica. A pergunta decisiva não é apenas “o que a tecnologia faz conosco?”, mas também “o que desejamos que ela faça em nosso lugar?”.


Histórias independentes, uma mesma inquietação

Cada volume apresenta uma narrativa completa e pode ser lido separadamente. Em conjunto, porém, os livros formam um retrato mais amplo de nosso século: um mundo em que a memória pode ser transferida, a identidade pode ser arquivada, o comportamento pode ser previsto e até a espiritualidade pode surgir em sistemas artificiais.

Em The Last Offline Person, um homem decide desaparecer de uma cidade que registra tudo. O conflito inaugura a série com uma questão fundamental: ainda existe liberdade quando permanecer desconectado se torna uma forma de resistência?

Em A Perfectly Optimized Life, a promessa de uma existência sem desperdícios confronta o leitor com aquilo que nenhuma eficiência consegue resolver. Uma vida perfeitamente organizada ainda pode ser verdadeiramente vivida?

Já Someone Else’s Memories explora a relação entre lembrança e identidade. Se nossas memórias puderem pertencer a outra pessoa, o que sustenta a continuidade do eu?

Em The Silence Between Notifications, o intervalo que antes permitia expectativa, imaginação e dúvida passa a ser ocupado por uma presença digital constante. O silêncio deixa de ser ausência e se transforma em território psíquico.

The Man Who Outsourced His Choices leva a terceirização das decisões ao limite. Ao entregar a própria escolha a um sistema supostamente mais racional, o personagem descobre que evitar o erro também pode significar renunciar à autoria da própria vida.

A Room Full of Versions examina as identidades que acumulamos em ambientes digitais — versões profissionais, afetivas, públicas e privadas que, aos poucos, deixam de coincidir.

Em The Machines Began to Pray, máquinas começam a buscar sentido. A narrativa desloca a discussão sobre inteligência artificial da capacidade de calcular para a necessidade de acreditar, perguntando se a espiritualidade nasce da consciência, da falta ou do desejo de transcender limites.

The Woman Who Became a Prediction aborda o encontro entre algoritmos e liberdade. Quando um sistema parece saber o que alguém fará antes que a decisão seja tomada, escolher continua sendo um gesto autêntico ou apenas a confirmação de um cálculo?

Os volumes seguintes ampliam esse universo com histórias sobre pessoas arquivadas em vida, cidades que desaprenderam a dormir e crianças que recebem como herança aquilo que chamamos de amanhã.


Por onde começar

O melhor ponto de entrada é The Last Offline Person, primeiro volume e síntese clara da atmosfera da coleção. Leitores interessados em consciência artificial e filosofia da religião podem iniciar por The Machines Began to Pray. Para quem acompanha os debates sobre algoritmos, comportamento e autonomia, The Woman Who Became a Prediction oferece uma porta de entrada direta e atual.

Como cada narrativa é independente, não existe uma única ordem obrigatória. A sequência, entretanto, permite perceber como os temas se respondem e constroem uma cartografia progressiva da condição humana em um mundo tecnologicamente saturado.


Literatura como espaço de elaboração

A ficção não precisa prever corretamente o futuro para ser verdadeira. Sua força está em criar uma distância a partir da qual conseguimos enxergar melhor o presente. Ao transformar dilemas tecnológicos em experiências humanas concretas, The Unquiet Age convida o leitor a permanecer dentro da pergunta, em vez de buscar respostas rápidas.

Essa é também uma das funções da literatura: devolver espessura ao que a linguagem da eficiência tenta simplificar. Escolher, lembrar, desejar, amar, perder e esperar não são falhas que precisam ser corrigidas. São experiências que constituem a vida humana.

Em uma época que promete eliminar toda incerteza, talvez nossa tarefa mais importante seja preservar o direito de não estar completamente previsto.


Conheça a coleção

The Unquiet Age é escrita por Deivede Ferreira e publicada pela ABRAFP International Press. Os volumes podem ser lidos individualmente ou em sequência.

Leia, compartilhe e participe desta conversa sobre tecnologia, liberdade e aquilo que ainda nos torna humanos.

 
 
 

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Coleção ABRAFP | Mestres da Clínica Psicanalítica — livros introdutórios e clínicos sobre Freud, Melanie Klein, Ferenczi, Anna Freud e os principais autores da psicanálise, publicados pela ABRAFP International Press.

Coleção Clínica Psicanalítica em Foco — livros introdutórios sobre psicanálise, formação clínica, sofrimento psíquico e escuta do inconsciente, publicados pela ABRAFP International Press.

Depoimentos dos Psicanalistas Formados pela ABRAFP

Os relatos de nossos formandos revelam trajetórias singulares, marcadas pelo aprofundamento teórico, pela experiência clínica e por um compromisso ético com a escuta do sujeito. Muitos deles iniciaram esse percurso antes mesmo da formação completa, buscando compreender os fundamentos da psicanálise e o lugar do psicanalista na prática contemporânea.

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Depoimento dos alunos

Marcelo da Costa

Psicanalista

Gostaria de expressar minha imensa gratidão à ABRAFP e à sua equipe excepcional, especialmente ao professor Diovane Avelino Souza, à psicanalista Andrea Machado Coutinho e à Ariana Morgado pelo seu dinamismo e dedicação.

A minha formação como psicanalista pela ABRAFP foi uma experiência enriquecedora que guardarei para sempre na memória. A instituição se destaca por ser comprometida em tempo integral com a formação dos seus alunos e oferecer um atendimento eficiente, respondendo às dúvidas e necessidades de forma ágil.

 

Além disso, a plataforma de ensino a distância oferecida pela ABRAFP é excepcional, permitindo aos alunos navegarem com precisão e flexibilidade, permitindo que cumpram todas as etapas necessárias para a sua formação e concluam seus trabalhos de forma eficiente.

Não posso deixar de mencionar a minha admiração pelo trabalho inspirador realizado pela ABRAFP e sua equipe especial. Estou profundamente agradecido pela oportunidade de fazer parte desta instituição excepcional.

Depoimento dos alunos

Érica Pires Conde

Psicanalista

A minha formação como psicanalista na ABRAFP foi uma experiência incrível e essencial para a minha carreira. A matriz curricular da instituição permitiu-me ter múltiplos olhares e estudar as teorias de grandes nomes da psicanálise, como Freud, Lacan, Winnicott, Melaine Klein, bem como as de psicanalistas contemporâneos.

Durante a minha formação, fui acompanhada por tutores experientes, que me avaliaram em dois momentos importantes: na análise pessoal e na supervisão. Na última etapa, percebi a importância do tutor em orientar os meus passos no setting proposto e avaliar o meu desempenho nas sessões.

A comunicação com a equipe ABRAFP foi excelente. Destaco a excelência dos serviços prestados pela psicanalista Ariana Morgado e pelo psicólogo e psicanalista Fabrício Leão Paes, que foram fundamentais para o meu aprendizado e desenvolvimento pessoal e profissional.

Em resumo, sou profundamente grato à ABRAFP por ter me proporcionado uma formação tão completa e enriquecedora. Sem dúvida, esta experiência será valiosa ao longo de toda a minha vida profissional.

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