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O Que Freud Queria Dizer com "Aberrações Sexuais"? A Verdade por Trás de um dos Conceitos Mais Mal Compreendidos da Psicanálise

Mais de um século depois, os Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade continuam provocando debates, polêmicas e interpretações equivocadas.

Poucos textos da história da psicologia foram tão influentes — e tão mal compreendidos — quanto os Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade, publicados por Sigmund Freud em 1905.

Quando leitores contemporâneos se deparam com expressões como "aberrações sexuais", "inversão" ou "desvios da pulsão", a reação costuma oscilar entre surpresa, desconforto e rejeição imediata.

Mas será que Freud estava realmente classificando pessoas como anormais? Será que o fundador da psicanálise defendia uma visão moralista da sexualidade? Ou será que estamos lendo um texto do início do século XX com os olhos do século XXI?

Responder a essas perguntas é fundamental para compreender não apenas a obra de Freud, mas também a própria história das ideias sobre desejo, sexualidade e comportamento humano.

O contexto histórico que quase ninguém considera

Antes de julgar os conceitos utilizados por Freud, é necessário compreender o contexto em que ele escrevia.

No início do século XX, a medicina, a psiquiatria e a moral social europeias possuíam uma visão extremamente rígida da sexualidade. Existia uma definição considerada "normal" e praticamente tudo o que escapava desse padrão era classificado como desvio, perversão ou anormalidade.

Foi justamente nesse cenário que Freud produziu uma das críticas mais radicais já feitas às concepções tradicionais sobre o desejo humano.

Paradoxalmente, o texto que hoje é acusado por alguns de conservador foi, em sua época, profundamente revolucionário.

A grande descoberta de Freud

A contribuição mais importante de Freud não foi criar novas categorias de sexualidade.

Foi demonstrar que o desejo humano é muito mais complexo do que imaginavam os modelos médicos e morais de seu tempo.

Para Freud, a sexualidade não podia ser reduzida apenas à reprodução biológica. Ela estava presente em fantasias, sonhos, afetos, relações, sintomas e formas de prazer que ultrapassavam qualquer definição simplista.

Essa ideia mudou completamente o modo como o ser humano passou a compreender a si mesmo.

O que significava "aberração sexual" para Freud?

Hoje a palavra "aberração" possui uma conotação fortemente negativa. Entretanto, no vocabulário científico da época, o termo era utilizado para designar variações em relação ao padrão considerado predominante.

Ao estudar aquilo que chamava de aberrações sexuais, Freud não estava interessado em condenar pessoas. Seu objetivo era investigar algo muito mais profundo:

Como funciona o desejo humano?

Ao analisar diferentes formas de investimento da pulsão sexual, Freud procurava compreender os mecanismos psíquicos que organizam o comportamento humano. Seu foco era explicativo, não moral.

A sexualidade é mais ampla do que imaginamos

Uma das teses mais importantes dos Três Ensaios é que a sexualidade humana não se limita ao ato sexual. Ela atravessa toda a vida psíquica:

  • Está presente na infância.

  • Participa da formação da personalidade.

  • Influencia escolhas amorosas.

  • Interfere nos sintomas.

  • Organiza fantasias e expectativas.

Essa ampliação do conceito de sexualidade foi uma das maiores revoluções intelectuais do século XX. Até hoje, muitos dos debates contemporâneos sobre identidade, desejo e subjetividade carregam marcas dessa transformação iniciada por Freud.

Por que o livro continua atual?

Mais de cem anos após sua publicação, os Três Ensaios continuam despertando interesse porque abordam questões que permanecem centrais:

  • O que é o desejo?

  • Existe uma sexualidade completamente normal?

  • Como surgem as fantasias?

  • Qual a relação entre cultura e sexualidade?

  • O desejo pode ser totalmente controlado?

  • O que a sexualidade revela sobre a subjetividade humana?

Essas perguntas continuam mobilizando psicólogos, psicanalistas, filósofos, educadores e pesquisadores.

Freud estava à frente do seu tempo?

Sob muitos aspectos, sim. Embora diversos conceitos precisem ser compreendidos historicamente, Freud rompeu com explicações simplistas sobre a sexualidade humana.

Ele mostrou que o desejo não obedece facilmente às normas sociais. Mostrou que a vida psíquica é mais contraditória do que gostaríamos de admitir. E mostrou que aquilo que chamamos de normalidade frequentemente esconde uma enorme diversidade de experiências subjetivas.

O desafio da leitura contemporânea

Ler Freud hoje exige um exercício importante. Não se trata de aceitar tudo literalmente. Também não se trata de descartar uma obra apenas porque foi escrita em outro contexto histórico.

O desafio consiste em compreender o que ainda permanece vivo em suas ideias. E poucas questões permanecem tão atuais quanto a tentativa de compreender o desejo humano.


Deivede Eder Ferreira e a difusão da psicanálise contemporânea

Considerado uma das vozes mais atuantes na divulgação da psicanálise contemporânea em língua portuguesa, Deivede Eder Ferreira é fundador da ABRAFP — Associação Brasileira de Filosofia e Psicanálise — e autor de uma ampla produção dedicada à formação de estudantes, psicanalistas e pesquisadores das ciências humanas.

A ABRAFP atua na produção de cursos, livros, pesquisas e conteúdos voltados à formação em psicanálise, filosofia e cultura contemporânea, contribuindo para a difusão do pensamento freudiano e das grandes tradições intelectuais que influenciam a compreensão do sujeito na atualidade.

Site institucional: www.abrafp.org


Uma releitura acessível para o leitor contemporâneo

Foi justamente com esse objetivo que surgiu o livro As Aberrações Sexuais: Uma Explicação Acessível dos Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade, de Deivede Ferreira.

A obra oferece uma releitura contemporânea da seção mais debatida dos Três Ensaios, preservando o rigor conceitual da teoria freudiana enquanto traduz seus principais conceitos para uma linguagem clara e acessível.

Sem simplificações excessivas e sem jargões desnecessários, o livro procura aproximar Freud do leitor contemporâneo, permitindo uma compreensão mais profunda de um texto que continua influenciando a psicologia, a psicanálise e as ciências humanas.

Mais do que uma explicação sobre sexualidade, trata-se de um convite à reflexão sobre a complexidade do desejo humano.

Porque talvez a maior contribuição de Freud não tenha sido explicar o sexo. Talvez tenha sido mostrar que o ser humano é muito mais complexo do que imagina ser.

Conheça a obra

As Aberrações Sexuais: Uma Explicação Acessível dos Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade

Autor: Deivede Ferreira

Coleção: Obras Completas de Freud – Releituras Psicanalíticas

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Coleção ABRAFP | Mestres da Clínica Psicanalítica — livros introdutórios e clínicos sobre Freud, Melanie Klein, Ferenczi, Anna Freud e os principais autores da psicanálise, publicados pela ABRAFP International Press.

Coleção Clínica Psicanalítica em Foco — livros introdutórios sobre psicanálise, formação clínica, sofrimento psíquico e escuta do inconsciente, publicados pela ABRAFP International Press.

Depoimentos dos Psicanalistas Formados pela ABRAFP

Os relatos de nossos formandos revelam trajetórias singulares, marcadas pelo aprofundamento teórico, pela experiência clínica e por um compromisso ético com a escuta do sujeito. Muitos deles iniciaram esse percurso antes mesmo da formação completa, buscando compreender os fundamentos da psicanálise e o lugar do psicanalista na prática contemporânea.

Depoimento dos alunos

Marcelo da Costa

Psicanalista

Gostaria de expressar minha imensa gratidão à ABRAFP e à sua equipe excepcional, especialmente ao professor Diovane Avelino Souza, à psicanalista Andrea Machado Coutinho e à Ariana Morgado pelo seu dinamismo e dedicação.

A minha formação como psicanalista pela ABRAFP foi uma experiência enriquecedora que guardarei para sempre na memória. A instituição se destaca por ser comprometida em tempo integral com a formação dos seus alunos e oferecer um atendimento eficiente, respondendo às dúvidas e necessidades de forma ágil.

 

Além disso, a plataforma de ensino a distância oferecida pela ABRAFP é excepcional, permitindo aos alunos navegarem com precisão e flexibilidade, permitindo que cumpram todas as etapas necessárias para a sua formação e concluam seus trabalhos de forma eficiente.

Não posso deixar de mencionar a minha admiração pelo trabalho inspirador realizado pela ABRAFP e sua equipe especial. Estou profundamente agradecido pela oportunidade de fazer parte desta instituição excepcional.

Depoimento dos alunos

Érica Pires Conde

Psicanalista

A minha formação como psicanalista na ABRAFP foi uma experiência incrível e essencial para a minha carreira. A matriz curricular da instituição permitiu-me ter múltiplos olhares e estudar as teorias de grandes nomes da psicanálise, como Freud, Lacan, Winnicott, Melaine Klein, bem como as de psicanalistas contemporâneos.

Durante a minha formação, fui acompanhada por tutores experientes, que me avaliaram em dois momentos importantes: na análise pessoal e na supervisão. Na última etapa, percebi a importância do tutor em orientar os meus passos no setting proposto e avaliar o meu desempenho nas sessões.

A comunicação com a equipe ABRAFP foi excelente. Destaco a excelência dos serviços prestados pela psicanalista Ariana Morgado e pelo psicólogo e psicanalista Fabrício Leão Paes, que foram fundamentais para o meu aprendizado e desenvolvimento pessoal e profissional.

Em resumo, sou profundamente grato à ABRAFP por ter me proporcionado uma formação tão completa e enriquecedora. Sem dúvida, esta experiência será valiosa ao longo de toda a minha vida profissional.

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